Na Cabeça da Lilá
A Gente e a Segunda da Gente
by Lilá on ago.22, 2011, under Na Cabeça da Lilá

Segunda-Feira é assim:
A gente acorda atrasada com uma ressaca de feijoada da Zorra, soltando pum fedido e com um mal estar terrível. Não dá pra tomar café da manhã. A única coisa que desce bem é um Sonrisal.
A gente pega um trânsito horrível, cheio de outras gentes esbagaçadas, com os olhos cheios de olheiras saindo pela parte de baixo dos óculos escuros. Provavelmente essas gentes também encheram a cara de feijoada ontem e estão com o mesmo mal estar que a gente também tá.
A gente chega no trabalho. Atrasada.
E… Tem gente mal humorada chegando atrasada e atrasando ainda mais o trabalho porque repara que a gente também chegou atrasada. E o relatório sai atrasado; o chefe, que também chegou atrasado, reclama do atraso da gente.
Nessa hora, a gente pensa: Putz, segunda era um bom dia pro pessoal pensar em começar o expediente só depois de meio-dia.
Mas aí a gente pensa atrasado e o pensamento atrasa a gente mais ainda. Azar o da gente. E, pior, é azar atrasado!
Na hora do almoço, quando a gente sai pra comer assim, atrasada, ainda tá rolando dentro da memória da barriga (e quem disser que barriga não tem memória é porque não come feijoada!) as lembranças de um domingo. Domingo à base de feijoada.
A gente pega uma folhinha de alface, uma rodelinha de tomate, uns aneizinhos de cebola, um pouquinho de couve - crua, né?! A refogada a gente já comeu no domingo, na hora da feijoada – e jura de pé junto que é hoje o dia em que começa a dieta.
E a gente come tudinho, sem azeite e sem sal, que dieta que é Dieta tem que ser assim, ruim de engolir, e come tudo rapidinho porque já acabou o horário do almoço e a gente tá atrasada.
Quando a gente volta do almoço, todo mundo ainda continua mal encarado, mal atravessado e mal humorado.
As gentes estão todas com Segundite aguda.
A tarde prossegue assim. As gentes todas, inclusive a gente mesma, parece que dormiu de calça jeans.
A gente olha o relógio, o relógio olha pra gente. E às vezes parece até que ele tira um sarro básico: “Ei, gente fina, que hora vc vai embora mesmo???”
E a gente trabalha, trabalha, trabalha, trabalha, trabalha, trabalha, trabalha, trabalha…. atééé a hora de ir embora.
Na hora de ir embora, o bicho pega pra gente.
Aí vem um porrilhão de perguntas: “será que as crianças também se atrasaram pra ir pro colégio?”, “será que o pai lembrou de ir no laboratório?”, “será que o povo lá em casa almoçou?”, “será que o marido lembrou que é hoje que vence a conta de telefone?”, será, será???”.
A gente respira fundo, liga o carro (tem que tentar umas 3 vezes porque carro costuma engripar, também, na segunda) e pega, de novo, um trânsito do caramba, com um monte de gentes buzinando e ali se vão duas, três horas talvez. Acho que a gente, no meio disso tudo, esquece até de contar…
E a gente chega em casa, já de noite, já tão tarde e tão estafada. E esfomeada!!!
Antes de qualquer coisa, verifica na geladeira o que sobrou do almoço, faz um pratão bem feito, coloca no copo uma Coca-Cola e come tudo feliz da vida. Depois, é a vez do biscoito de chocolate. Talvez, na semana que vem, a gente recomeça a dieta.
Dá vontade de nem ver o jornal que aquela mocinha da TV apresenta, com a cara cheia de corretivo pra disfarçar a domingueira, falando tudo pausadinho e explicadinho, tudo muito muito didático, pra gente poder entender que o Flamengo empatou de novo, que o Ministro fudeu de novo e que em Brasília já passou há muuuuito tempo das Dezenove horas.
Mas é exatamente nessa hora que a gente lembra que pode até ser que Deus não tenha mesmo criado o mundo numa Segunda-Feira, mas que foi esse rumo que o mundo tomou pra mostrar pra gente a grande sabedoria do Pai Celestial.
O primeiro dia é sempre o mais difícil, mas é sempre o mais gratificante. Deu tudo certo nessa segunda. Sempre dá certo.
E a gente se encontra assim, na fé, na oração, no sorriso do filho, no abraço da filha, no carinho do pai, no afeto da mãe, na paixão do parceiro.
E a gente pensa de novo: Deus é Perfeito demais!
Boa semana, Alokas!
Com amor,
Lilá – TCM
Pai, um poema! looool
by Lilá on ago.14, 2011, under Na Cabeça da Lilá
Eu sentei ali, na beira do mar
Olhando tudo
A água vir e voltar
O vento soprar
E eu vi Deus…
Pensei na vida e nas coisas
Em tudo o que a gente faz
Cada dia é tão pouco, cada dia se faz mais
E eu, olhando pro tudo, pra vastidão
pro mar, pra expansão
E eu vi Deus…
Eu pedi ao mar pra levar
pro meu pai o meu amar
Aí lembrei:
“Puta que pariu! No Centro-Oeste não vai dar”
E até nessa hora,
Eu vi Deus…
Peguei o Tim no bolso do vestido
Pensei na raiva que se passa com esse celular bandido
tentei ligar, tentei falar
Ouvi meu pai dizer:
“Lilá, Lilá”
E eu vi Deus…
Eu ouvi meu pai, mas ele não me ouviu.
E pra não xingar de novo, decidi não mais tentar
Até porque falar é pouco perto do que se quer mostrar
E eu olhei pro mar de novo
E eu vi Deus…
E aí eu lembrei de novo
que pra conversar com o pai, não é preciso ligar
é só pensar e pedir a Deus pra mensagem levar
E Deus, no mar ou no mato,
usando ou não Tim, Vivo ou Claro,
consegue colocar a prece ao meu pai,
meu pai amado
bem no peito dele e dizer:
“Seu pai, liga depois pra Lilá
porque mesmo o senhor sabendo,
é bom sempre falar
o quanto ela ama o senhor
e que nesse eterno amor
eterno e edificante
construído todo dia
Lilá vê Deus”
Beijoixxx, Pai!
Te amo!!!
Lilá












